A família encontrada desacordada em um apartamento em Passo Fundo, no Norte do Rio Grande do Sul, recebeu alta. A secretária executiva Janaína Rogelin,
37 anos, deixou o Hospital de Caridade nesta quarta-feira (22). Já a filha Lara, 7 anos, e o marido, Adriano Corbani, 37, estavam no Hospital São Vicente do Paulo e ganharam
alta na terça (21). Exames médicos, obtidos por eles, apontam que os três tiveram uma intoxicação.
O caso ocorreu na noite de segunda-
feira (20). Outro filho do casal não estava em casa e escapou do incidente.
O Corpo de Bombeiros suspeitava que os desmaios tivessem sido causados porque um ar-
condicionado e uma estufa estavam ligados durante horas em um ambiente fechado. Com isso, a falta de ventilação teria provocado a saturação do oxigênio. A
família, porém, suspeita de vazamento de gás.
Após deixar o hospital, Janaína conversou com o G1 e relatou momentos de pânico.
Ela lembra que começou a sentir dor de cabeça enquanto preparava a janta, após a família ter voltado do supermercado. "Sabe quando a gente entra na piscina
e sai com o ouvido fechado? Foi o que eu senti", compara.
A filha do casal tomava banho enquanto a mãe preparava a refeição. O ar-
condicionado do quarto do casal e a estufa no quarto da menina estavam ligados. Após a janta, foram desligados.
Depois, Janaína foi para o banho.
Quando saiu, encontrou o marido sentado no sofá. "Ele disse: 'não estou bem, não estou bem'. E eu disse: eu também não."
A secretária foi para o quarto, se vestiu e deitou na cama. Dali, gritou para o marido que "tudo estava girando". Ela conseguiu correr até o banheiro, onde
desmaiou após vomitar.
Janaína conseguiu retomar a consciência e, se rastejando, foi até o quarto, onde
encontrou a filha caída no chão. "Eu agarrei as mãos dela e dizia: 'não morre, não morre'."
A menina, segundo
Janaína, estava com os olhos virados e sem os sentidos. "Entrei em desespero. Ela estava com os braços e pernas moles e eu estava incapaz de ajudar um filho",
relata.
O marido conseguiu abrir a porta do apartamento, rastejar até o elevador e abrir a porta do prédio para uma equipe de Serviço de
Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Antes, ele ligou para um irmão, que acionou o socorro.
Em meio ao incidente, a preocupação de
Janaína era que os bifes comprados no supermercado estivessem envenenados. "Quando voltei do desmaio, lembro que falava que alguém tentou nos matar", disse ao
G1.
Após a alta do hospital, a família acredita que tenha havido um vazamento do gás central, na tubulação. "Eu acredito nisso.
É um gás que não dá cheiro. E a sensação na cabeça, parecia de pressão." Segundo a secretária, o gasto mensal com
gás ultrapassava R$ 100, considerado alto, já que o produto era utilizado apenas para banho. "Costumamos fazer nossas refeições todas fora de casa. E o meu
marido trabalha em outra cidade."
A família se mudou para o apartamento em dezembro e já pensa em sair, após a situação.
"Vamos ver se conseguimos trocar", diz Janaína.