O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF),
retirou o sigilo dos depoimentos de acordos de delação premiada do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró na Operação Lava
Jato. Em troca das informações prestadas, Cerveró poderá deixar a prisão no dia 24 de junho, mas deverá devolver aos cofres públicos cerca
de R$ 17 milhões, como forma de ressarcimento pelos desvios.
Cerveró citou em um de seus depoimentos de delação premiada supostas
irregularidades ocorridas durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardozo.
Ele disse aos aos investigadores que, em 1999 ou 2000, passou a tratar com o
lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, sobre a contratação da empresa espanhola Union Fenosa em um projeto da TermoRio, usina termelétrica operada
pela estatal. Segundo o delator, todos esperavam que o negócio seria fechado, mas a empresa do filho de FHC foi contratada.
“Fernando Antônio
Falcão Soares e os dirigentes Union Fenosa", acreditavam que o negócio estava acertado, faltando apenas a assinatura para a finalização; Que, no entanto, o
negócio já estava fechado com uma empresa vinculada ao filho do Presidente da República Fernando Henrique Cardoso, de nome Paulo Henrique Cardoso; Que essa empresa era
a PRS Participações; Que o negócio havia sido fechado pelo próprio declarante, por. orientação do então presidente da Petrobras Phillippe
Reichstul”, diz trecho do depoimento de Cerveró.
Em nota, o Instituto FHC informou que não conseguiu contato com o ex-presidente, que
está em viagem ao exterior.