Uma das últimas pessoas a ver viva a jovem Jessica Lovatto de Oliveira, de 19 anos, o gaiteiro da banda Safira afirmou ao G1 se sentir "aliviado" com a
mudança nos rumos da investigação do assassinato, que inocentaram o grupo musical por envolvimento na morte dela. O corpo da vítima foi encontrado no dia 8 de
maio em um bueiro de esgoto em Santa Rita, no Paraguai, a cerca de 75 quilômetros de Foz do Iguaçu, no Paraná.
Por telefone, o músico Cleiton
Raasch, 19 anos, relatou que após uma apresentação, na madrugada de domingo (8), os dois foram caminhar pelo parque da Expo Santa Rita, no Paraguai. E que, em pouco
mais de 1 hora de passeio, Jessica "não chegou nem perto do ônibus" da banda.
Ao G1, o gaiteiro disse que os dois só trocaram beijos. Por
volta das 4h, Raasch deixou Jéssica perto de uma barraca vermelha e foi em direção ao ônibus da banda. "Fazia muito frio aquela noite." Disse não
ter visto ninguém se aproximar dela, quando Jéssica deixava o parque pelo portão 1.
Horas depois, soube da morte de Jéssica quando
almoçava, por volta do meio-dia de domingo. "Estava sentado à mesa e falaram de uma guria encontrada fora do parque, morta e estuprada. Logo depois divulgaram o nome
dela. Não me desceu mais nada. Naquele dia não consegui comer e dormir direito. E ainda tinha que tocar domingo de noite e segunda-feira."
O
grupo ainda permaneceu na cidade até terça-feira (10) e depois rumou para Foz do Iguaçu, no Paraná, onde iria se apresentar na quarta-feira (11).
"Não tinha nenhuma vontade de tocar, considerava ela como uma irmã. E foi terrível por saber da brutalidade como foi, sabe?" Em seguida, a Safira voltou a
Santo Cristo, no Noroeste do Rio Grande do Sul. Entre sexta-feira (13) e domingo (15), o grupo fez três apresentações: em Santa Rosa, Planalto e Giruá.
Jéssica e o gaiteiro se conheceram há cerca de um ano, após o grupo fazer uma apresentação em Santa Rita. "Ela me adicionou no
Facebook e passamos a conversar." Eles se reencontraram na segunda passagem da Safira pela região, desta vez na Expo Santa Rita. "Ela gostava da banda. Gostava de todos,
conhecia todo mundo. Era uma guria ‘gente fina’", lamenta.
Áudio de mulher acusava banda por morte
Na
noite de segunda-feira (16), os integrantes da banda tiveram acesso a um áudio, no qual uma mulher acusava a banda por envolvimento no estupro e na morte de Jéssica. No
relato, ela dizia que havia imagens da jovem entrando no ônibus e não saindo mais, o que não foi localizado pela polícia paraguaia. "(O áudio) foi se
espalhando e passamos por suspeitos. Muita gente nos acusou. A imprensa paraguaia começou a nos acusar e isso correu pelo Brasil. Fomos acusados de um crime que não cometemos
e ainda internacional".
O gaiteiro conta que ficou três dias sem comer e dormir. "Para nós também foi chocante, nunca teria coragem de
fazer isso." Na quinta-feira (19), o caso teve uma reviravolta, com a divulgação de imagens que mostram a jovem sendo seguida a pé por um homem, na saída do
parque. Em seguida, ela é acompanhada por uma motocicleta e, segundo a polícia, o condutor aparentava ser o mesmo que seguia a mulher na saída do parque. Para o
gaiteiro, a mudança nos rumos da investigação foi um "alívio muito grande" para o grupo.
"Entrar no Facebook e ver tanta
mensagem de revolta, nos chamando de assassinos, (tu) fica muito abalado. Não guardamos rancor de ninguém, as pessoas vão ver, é momento complicado, revolta
muito grande, câmeras provaram", disse o gaiteiro. "Voltamos para a batalha de novo, agora queremos reconstituir o nome da banda."
Policial descartou participação de banda
Na quinta-feira (19), o subcomissário de homicídios da polícia nacional
paraguaia, Richard Vera, afirmou ao G1 que estava descartada a participação da banda na morte da jovem. "Os músicos não tem nada a ver com o assassinato da
senhorita."
O policial informou que a análise de imagens de câmeras mostram a jovem caminhando pelo parque e sendo acompanhada pelo gaiteiro
da Safira, até 50 metros do portão do parque da Expo Santa Rita. Em seguida, ele volta para o ônibus do grupo. Pouco antes de sair, ela passa a ser seguida por um homem
por volta das 4h15 - como mostra o relógio do vídeo.
Três minutos depois, uma motocicleta passa a segui-la. "A 50 metros do lugar da
saída, se observa que ela vai caminhando sozinha e, segundo depois, um motociclista com a mesma característica de quem tinha se aproximado dela do portão, passa
rapidamente próximo de Jessica e, depois em outra imagem do portão seguinte, já não se vê passar a vítima e o motociclista," disse o
subcomissário.