Famílias de Ponte Alta do Norte, na Serra de Santa
Catarina, atingidas pela microexplosão no domingo (15), foram cadastradas e receberam doações de telhas, colchões, cestas básicas e kits de higiene. Na
terça (17), foi decretada situação de emergência no município, onde três pessoas morreram.
As doações entregues
às famílias foram recebidas das cidades vizinhas, informou o coordenador regional da Defesa Civil, Roberto Adriano Roper. Esse material deve ser suficiente para os
próximos dias, mas o município estuda fazer uma campanha de arrecadação, com itens específicos.
Nesta quarta (18), a coordenadoria
regional da Defesa Civil vai levar o cadastro das famílias que perderam as residências para pedir ao órgão estadual o fornecimento de casas modulares.
Ao todo, 70 casas foram atingidas no município. Dessas, 12 tiveram destruição total, 45 tiveram danos médios e o restante, poucos
prejuízos, relatou Roper. Foram 280 afetados.
Três pessoas morreram após o desmoronamento de uma casa. A Polícia Militar identificou as
vítimas como Francisco Alves de Proença, de 90 anos, Daniel da Silva Farias, de 62 anos, e Valdivina Alves de Oliveira, de 55 anos. PM e bombeiros não confirmaram se as
vítimas tinham algum parentesco.
Outras 20 pessoas de Ponte Alta do Norte ficaram feridas. Segundo a Defesa Civil, desse total, seis tiveram lesões
graves.
Decreto estadual
A Defesa Civil estadual informou que não recebeu o decreto de situação de
emergência do município.
Também informou que, para que haja homologação estadual dessa situação, é
necessário que o município apresente, no mínimo, dois tipos de danos. Podem ser danos humanos que variem uma a nove mortes ou 99 pessoas afetadas; danos materiais, que
são determinados por uma a nove instalações públicas afetadas, uma a nove unidades habitacionais danificadas e uma a nove obras de infra-estrutura parcial ou
totalmente destruídas; e danos ambientais, nos rios e solo.
A lei exige ainda que o município apresente prejuízo econômico público
superior a 2,77% da receita corrente líquida anual do município ou aponte prejuízo econômico privado superior a 8,33% desta mesma corrente líquida.
Para decretos de calamidade, as quantidades de danos e vítimas precisam ser maiores.
Porto União
Em
Porto União, no Norte, também foi registrada microexplosão no domingo. Cinco casas foram totalmente destruídas e 17 foram parcialmente afetadas. Uma pessoa
morreu, outra está hospitalizada, 10 ficaram desalojados e 52 pessoas foram atingidas.
Radar não capta
Em
entrevista ao Jornal do Almoço nesta terça-feira (17), o secretário-adjunto da Defesa Civil de Santa Catarina, Rodrigo Moratelli, afirmou que microexplosões como
as ocorridas em Ponte Alta do Norte, na Serra, e Porto União, no Norte, no domingo (15) não podem captadas a tempo pelo radar de Lontras, um dos instrumentos da Defesa Civil
para previsão do tempo.
Conforme o secretário-adjunto, as microexplosões duraram menos de um minuto, o que dificultaria a emissão do
alerta. O mecanismo do radar consegue visualizar a chegada de um sistema, como uma frente fria de chuva, e com o auxilio de uma estação hidrometeorológica mostrar a
velocidade do vento, mas não pontuar uma situação isolada e de grande intensidade.
Segundo Moratelli, a emissão de alerta naquele ponto,
com antecedência, é "praticamente impossível". "Em determinados casos, é praticamente impossível chegar com o alerta antes do evento. O
alerta chega depois", disse Moratelli.