A Polícia Federal prendeu
preventivamente na Operação Água de Prata, deflagrada nesta terça (17), um empresário e dois funcionários da empresa dele suspeitos de integrarem
uma organização criminosa que fraudava licitações de obras de saneamento na região Sul de Santa Catarina.
Conforme o delegado-chefe da
PF em Criciúma, Nelson Napp, além das três prisões efetuadas, um mandado de prisão preventiva de um servidor público não havia sido
cumprido até as 16h desta terça, e ele era considerado foragido. A PF não divulgou informações sobre órgãos públicos envolvidos nem
sobre as empresas.
As investigações da Polícia Federal apontaram irregularidades praticadas por quatro empresas, para as quais eram direcionadas
licitações de obras públicas. Conforme a PF, as empresas executavam projetos com produtos de qualidade duvidosa e faziam serviços diferentes do indicado no
projeto.
Em função disso, havia dois caixas, um com uma planilha financeira que correspondia ao indicado no projeto e outra referente aos
serviços prestados na prática, segundo informações da RBS TV.
No esquema já foram constatados desvio de R$ 2 milhões
em três obras públicas. Pelo menos quatro empresas privadas estariam esquematizadas para ganhar licitações, com a conivência de órgãos
públicos.
"As empresas executavam em parte o que prometiam, mas recebiam por exatamente aquilo que tinham acordado na licitação. Por
exemplo, diziam que iam fazer a perfuração em uma rocha em todo um trecho, mas só executavam metade", conta o delegado Napp.
Segundo o
delegado, foi possível chegar a essas três obras por meio de uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU). Pelo menos outras 10 obras são investigadas. O
delegado diz que o material coletado nesta terça já está em análise. Ao todo, R$ 200 mil foram apreendidos nesta terça.
Foram
cumpridos 34 mandados de busca e apreensão em 17 cidades do Sul catarinense. No total, 17 pessoas foram conduzidas para prestar depoimento.
Operação
A Operação Água de Prata cumpriu mandados em Criciúma, Orleans, Siderópolis, Cocal do Sul,
Jacinto Machado, Araranguá, Sombrio, Balneário Gaivota, Turvo, Santa Rosa do Sul, Arroio do Silva, Forquilhinha, Meleiro, Urussanga, Florianópolis, São
José e Concórdia.
As investigações iniciaram em fevereiro de 2015. Além da fraude em licitação, foi constatado
lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio, falsificação entre outros crimes.
Segundo a PF, o nome da operação
é uma alusão a um dos aquedutos construídos em Portugal no reinado de D. João III, em que ficou constatado que o responsável pela
fiscalização, Pero Borges, teria desviado 50% dos recursos a ela destinados. Um ano após ser condenado, foi nomeado ouvidor-geral do Brasil, com a missão de
distribuir justiça.