Cerca de 70 produtores rurais de Augusto Pestana realizaram na manhã desta terça-feira (1) um protesto em uma empresa de leite. O grupo
diz não ter recebido o pagamento pelo produto fornecido a uma empresa de Condor que foi denunciada pelo Ministério Público por adulterar o produto na quarta etapa da
Operação Leite Compensado.
O protesto foi realizado na plataforma de resfriamento da indústria para onde o leite teria sido levado antes de ser
industrializado. Os produtores dizem querer saber quem pagará a conta do leite que os produtores forneceram, se a empresa que recolheu, ou a que industrializou.
"Fizemos o nosso trabalho com muita dedicação e empenho, e aí há um empurra-empurra. Não sabemos ao certo quem vai nos pagar. Nosso objetivo hoje
aqui é saber quem vai nos pagar", disse o presidente Sindicato Rural de Augusto Pestana, Remi Becker.
Segundo revelaram as investigações do
Ministério Público (MP) gaúcho, cerca de 300 mil litros de leite cru adulterados no Rio Grande do Sul com água e ureia, que contém formol, foram enviados
para as duas fábricas da empresa.
O leite é a principal fonte de renda para produtores como Darci Bernardi. Ele diz ter uma renda em torno de R$ 5,5
mil, porém está há dois meses e meio sem receber pelo leite fornecido.
"Trabalhei 75 dias sem receber. Fui pagar a luz e falei pra eles
não tenho como pagar", disse o produtor, mostrando à reportagem notas fiscais que mostram dívidas decorrentes da má situação financeira.
"Pode olhar os valores das rações que estou devendo, aqui estão as notas", destacou.
O produtor Francisco Eugênio Dallabrida diz
não poder pagar por uma adulteração que não cometeu. "O produto que sai de casa é um produto com qualidade, gordura, proteína, tudo dentro das
normas", garantiu.
A LBR, empresa responsável pela distribuição do leite, foi procurada, mas até as 18h20 não havia se
manifestado. O G1 também aguarda um posicionamento do advogado do dono da empresa de Condor.