O Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) Alto Uruguai e o Projeto Regional de
Fiscalização de Casas Prisionais do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul deflagram, nesta quarta-feira, 04, a Operação
Mercenários, coordenada pelos Promotores de Justiça José Garibaldi Evangelho Simões Machado e Rosélia Vasconcellos Brusamarelo. São cumpridos 21
mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva no Rio Grande do Sul (Santo Ângelo, Santa Rosa, São Borja, Cacequi e Santa Maria), em Santa
Catarina (Chapecó) e no Paraná (Luninópolis e Londrina). As investigações dão conta que duas empresas de Santa Rosa, responsáveis pelo
fornecimento de alimentos para entidades da administração pública, adquiriam insumos inapropriados ao consumo humano por valores baixíssimos e os repassavam,
principalmente, a presídios.
Participam da Operação Mercenários os Coordenadores do Gaeco Segurança Alimentar, Promotores de
Justiça Mauro Rockenbach e Alcindo Luz Bastos da Silva Filho e os Promotores de Justiça de Execução Criminal de Porto Alegre Luciano Pretto e José Eduardo
Corsini, bem como o Coordenador do Sistema Integrado de Investigação Criminal do MP, Diego Rosito de Vilas. Acompanham o cumprimento dos mandados equipes da Vigilância
Sanitária Estadual e Vigilância Sanitária Municipal de Santo Ângelo.
As investigações iniciaram a partir do Projeto Regional
de Fiscalização de Casas Prisionais do Ministério Público, coordenado pela Promotora de Justiça Rosélia Vasconcellos Brusamarelo. O Projeto
fiscaliza dez presídios, que fazem parte da jurisdição da 3ª Delegacia Penitenciária Regional (Instituto Penal de Ijuí, Instituto Penal de Santo
Ângelo, Penitenciaria Modulada de Ijuí, Presídio Estadual Cerro Largo, Presídio Estadual de Cruz Alta, Presídio Estadual de Santo Cristo, Presídio
Estadual de São Luiz Gonzaga, Presídio Estadual de Três Passos e Presídio Estadual de Santo Ângelo). No decorrer das investigações, foram
apreendidas toneladas de produtos com validade vencida, sem data de fabricação ou de validade, com insetos vivos, excrementos de insetos ou até mesmo cacos de vidro,
destinados a casas prisionais. A conservação e o transporte também eram realizados irregularmente.
Indícios apontam que, ao serem
realizados testes de qualidade durante as licitações ou no decorrer da execução de contratos de fornecimento de alimentos para órgãos
públicos, as empresas investigadas apresentavam alimentos compatíveis com aqueles exigidos, porém, ao fornecerem os alimentos, entregavam produtos de outra qualidade,
muitas vezes inapropriados ao consumo humano.
Até o momento, apurou-se que os destinatários finais de alimentos inapropriados fornecidos pelas
empresas investigadas foram a Cozinha Comunitária do Município de Ijuí, a Secretaria de Assistência Social do Município de Ijuí e as dez casas
prisionais citadas. Há suspeita de que outras entidades possam ter recebido alimentos nas mesmas condições, em especial outras casas prisionais do Estado do Rio Grande
do Sul.
Mesmo após apreensões de diversos lotes de alimentos inapropriados junto às empresas investigadas ou a entidades por elas abastecidas,
empreendidas nos meses de março e abril deste ano, verificou-se que elas tornaram a praticar o mesmo tipo de conduta.
Entre abril de 2013 a abril de 2016, as
empresas investigadas receberam a quantia de aproximadamente R$ 16,3 milhões da Administração Pública. A investigação foi realizada pelo
Ministério Público com a colaboração da Brigada Militar.