Veículos importados, casa em condomínio de alto padrão, terrenos e outros bens
num patrimônio milionário estão sendo investigados pela Polícia Civil de Santa Catarina como sendo de um homem suspeito de liderar uma quadrilha de caixeiros que
arromba bancos pelo interior do Estado.
Gilmar Rottini, 37 anos, morador de Joinville, foi preso em uma blitz da Polícia Rodoviária Federal em
São José, às 22h de quarta-feira, em um Peugeot 307. No mesmo dia, a Polícia Civil cumpriu três mandados de busca e apreensão em endereços
vinculados a ele em Joinville, entre eles uma residência de dois andares com piscina, mas não conseguiu localizá-lo.
A polícia afirma que
Rottini lideraria um grupo de caixeiros, como são chamados os arrombadores de caixas eletrônicos de Joinville que agem em todo o país desde a década de
1990.
A prisão saiu após investigação pela Polícia Civil de Herval d'Oeste, com apoio das Divisões de
Investigação Criminal (DIC) de Joaçaba e Joinville. A quadrilha é suspeita de furtos a bancos do Bradesco em Herval d'Oeste, quando foram levados R$ 76 mil
no dia 23 de março e em Ibicaré, no dia 5 de janeiro, quando foram levados R$ 59 mil.
Impressão digital em banco
A polícia afirma ter incriminado Rottini a partir de imagens dos autores nas agências, identificação de veículo utilizado e a impressão digital dele
encontrada no banco em Herval d'Oeste. Ao cumprir as buscas numa das casas em Joinville havia três carros importados, sendo duas BMW e uma Land Rover.
O que
chama a atenção da polícia é que o bando não age com violência, não porta armas e abre os caixas eletrônicos sem utilizar explosivos ou
maçaricos. A técnica consiste em abrir os equipamentos com senha eletrônica, violando o cadeado digital para abrir o equipamento e levar o dinheiro.
Os furtos duravam cerca de três minutos e o interior de SC era o alvo principal em razão do baixo efetivo policial e a pouca movimentação de madrugada nas cidades
pequenas.
— Eles utilizavam senha eletrônica, só abriam com esse método, levando junto as gavetas com o dinheiro. Agora faremos outra
investigação de lavagem de dinheiro sobre o patrimônio dele. Já descobrimos que teria 11 terrenos em nomes de parentes e laranjas — disse o delegado de
Herval d'Oeste responsável pela investigação, Deyvid Tranche Lima.
O delegado apurou que os bens de Rottini são incompatíveis com
a renda dele, que tem como profissão eletricista. Até caminhões constariam entre os bens apurados pela polícia, que já conseguiu a prisão
preventiva do suspeito decretada pela Justiça de Herval d'Oeste, além do bloqueio de contas bancárias.
"Prisão
importante", diz delegado regional
— É uma prisão importante contra os arrombamentos a bancos que vêm ocorrendo no interior
— acredita o delegado regional de Joaçaba, Daniel Sá Fortes Régis.
Rottini já havia sido preso outras duas vezes por furto no
Estado e também em Pernambuco. O preso foi encaminhado para unidade prisional na Grande Florianópolis e deverá ser transferido para Joaçaba. Nesta quinta, o
Diário Catarinense não teve acesso a ele e ainda não conseguiu contatar o seu advogado.