Cinco empresários foram presos temporariamente nesta quinta-feira (31) em Chapecó, no Oeste catarinense. Também foram
cumpridos 25 mandados de busca e apreensão e três conduções coercitivas em municípios da Serra e Oeste Catarinense.
Essas
ações fazem parte da segunda fase da operação Patrola, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações
Criminosas (Gaeco). A primeira fase da operação Patrola foi desencadeada em fevereiro e resultou na prisão do prefeito de Tangará, Euclides Cruz (PSD), que
continua preso, conforme o promotor.
As investigações apuram crimes de organização criminosa, fraudes em licitações e crimes
contra a administração pública.
“A partir da primeira fase da operação, em fevereiro, ouvimos muitas pessoas e algumas
colaboraram inclusive apresentando documentos que comprovavam pagamento de propina", afirmou ao G1 o promotor de Justiça Joel Rogério Furtado Junior, coordenador regional
do Gaeco.
"As vendas de máquinas pesadas para as prefeituras eram superfaturadas e o valor a mais retornava para agentes públicos”, disse
Furtado Junior. Ele não preferiu não informar quantas nem quais entidades públicas estão sob suspeita para não atrapalhar as
investigações.
De acordo com o Ministério Público de Santa Catarina, na ocasião, foram cumpridos seis mandados de prisão
temporária, 11 de busca e apreensão e três de condução coercitiva. Segundo as investigações, as fraudes em Tangará envolvendo a compra
de peças para máquinas pesadas começaram ainda em 2013.
Vários municípios com suspeitas de fraudes
“Na atual fase, descobrimos que essa situação não estava só em Tangará, nas em outras cidades do Oeste e da Serra”, diz Joel. Segundo ele,
ainda não é possível definir em quais crimes os suspeitos presos teriam envolvimento. "Não é possível afirmar, por exemplo, se todos pagavam
propinas a agentes públicos. Com a denúncia isso fica mais fácil, mas todos têm envolvimento".
Na quarta-feira (30), o MPSC obteve
medida liminar para afastar o prefeito de Tangará, Euclides Cruz, o procurador do município e outra servidora pública do cargo. Com a liminar, mesmo que deixe a
prisão, Euclides não poderá retornar à prefeitura. A decisão também suspendeu seis licitações fraudadas e determinou o bloqueio de R$
569 mil de 24 suspeitos, entre pessoas físicas e jurídicas, de envolvimento nas fraudes.
Na Câmara, começou na segunda-feira (28) o
processo para decidir sobre a cassação do mandato do prefeito. O prazo estimado é de 90 dias.
A chefia de gabinete da Prefeitura de Tangará
informou ao G1 que os funcionários suspeitos de envolvimento foram afastados e que, como uma nova equipe assumiu a gestão, a prefeitura não está se manifestando
sobre as investigações.
O nome 'Patrola' foi escolhido pois a investigação apontaria irregularidades no uso de
maquinários pesados de propriedade do poder público.