Há um ano, no fim da tarde de um
sábado, acontecia o pior acidente rodoviário de Santa Catarina, com 51 mortes. Quase 12 meses depois, ainda faltam melhorias na estrada, como mostrou o RBS Notícias
deste sábado (12).
Na tarde do dia 14, um ônibus caiu em uma ribanceira após uma curva da SC-418 em Joinville, Norte do estado. Estavam a bordo 59
pessoas e 51 morreram.
A SC-418, mais conhecida como Serra Dona Francisca, é uma das rodovias mais movimentadas do Norte do estado. Depois da
tragédia, o Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra) prometeu melhorias no local.
Atualmente, há uma pista com mais placas de
sinalização, tachões na pista, novos postes de iluminação e guard rails próximos às curvas. Mas ainda faltam melhorias. Uma delas é a
roçada da mata, que deve ser feita no fim do mês.
"Foi uma medida paliativa porque o agravante aqui na serra é a imprudência do
motorista", disse Ademir Machado, do Deinfra.
Imprudência que só poderia acabar, segundo os moradores, com a implantação de lombadas
eletrônicas. "Se você colocar uma lombada, as pessoas vão reduzir a velocidade", argumentou a comerciante Cleusa Batista.
Porém,
o Deinfra já avisou que o estado não está autorizado a instalar radares e lombadas eletrônicas. Um processo sobre o assunto corre na Justiça desde 2009. O
que o órgão pretende é colocar lombadas físicas ao longo da rodovia.
"Esse assunto já está sendo levado para a
direção do Deinfra. Levada ao presidente, Vanderlei Agostini, e com certeza alguma medida vai ser adotada pelo governo até como forma de preservar a vida,
principalmente próximo aos colégios. Temos que fazer isso nos próximos seis meses", afirmou Machado.
Indenizações
Enquanto as melhorias vão saindo do papel, as vítimas, que são de Porto União, no Norte
catarinense, e União da Vitória, no Paraná, esperam por indenização. Elas entraram com uma ação civil pública contra a empresa de
turismo.
"As famílias se habilitam à herança que o proprietário da empresa deixou ou ações de indenização
moral ou indenização patrimonial", explicou o delegado Douglas Possebon.
Ônibus
Um ano depois do
acidente, o ônibus ainda está no pátio da Polícia Militar Rodoviária (PMRv) de Campo Alegre. O veículo teve que ser coberto, por causa de
curiosos.
"As pessoas passavam, olhavam, tiravam fotos. Uma instituição veio e cobriu esse ônibus. Até para nós foi um
alívio também porque era muita gente aqui no posto, às vezes até dentro do ônibus", declarou o cabo da PMRv João Gualberto Maidel.
Inquérito
O inquérito policial sobre o caso foi concluído em maio do ano passado e o motorista foi
responsabilizado pelo acidente.
A Polícia Civil revelou que o homem ingeriu bebida alcoólica e que não teria utilizado o freio a motor e marcha
engrenada para impedir que o veículo perdesse o controle. Como o motorista morreu no acidente, em junho a Justiça decidiu arquivar o processo sobre o caso.