Foi anunciado nesta segunda-feira (7), em Florianópolis, o
fechamento do acordo entre os acionistas da RBS e os empresários Lírio Parisotto e Carlos Sanchez, juntamente com outros investidores, para a transferência de controle
das operações de televisões, rádios e jornais que atuam sob a marca RBS em Santa Catarina.
O comunicado foi feito na tarde desta
segunda, em uma reunião com colaboradores na sede da empresa, transmitida por videoconferência para todas as áreas da organização no estado. Embora
não tenham sido divulgados valores, o negócio é considerado um dos maiores no ramo de mídia no Brasil nos últimos anos. A conclusão da venda
aguarda a aprovação dos órgãos regulatórios.
O acordo para a aquisição inclui as emissoras da RBS TV em
Florianópolis, Blumenau, Joinville, Centro-oeste, Chapecó e Criciúma, os jornais Diário Catarinense, Hora de Santa Catarina, A Notícia e Jornal de Santa
Catarina e as rádios CBN Diário, além das emissoras da Itapema e Atlântida em Santa Catarina.
Segundo a RBS, a primeira
aproximação dos investidores ocorreu há cerca de três anos. As conversações haviam sido retomadas há meses, mas o acordo só foi
fechado há poucos dias. O processo de transição pode durar até dois anos e será gerido a partir de comitês com o objetivo de garantir a continuidade
e a excelência das operações.
Realizado na redação do Diário Catarinense, o anúncio teve a presença de
representantes de diferentes gerações de acionistas da RBS: Nelson Sirotsky, o primeiro a comandar as operações da empresa em Santa Catarina; Pedro Sirotsky, que
também esteve à frente da RBS no estado, e o presidente do grupo, Eduardo Sirotsky Melzer. No encontro, os novos proprietários explicaram as razões da
aquisição e se comprometeram a manter a independência editorial. Eles também anunciaram o nome de Mario Neves, atual diretor-geral da RBS TV Santa Catarina, como
novo presidente das operações no estado.
Em comunicado, as duas partes informaram que a aquisição surgiu a partir de uma
associação dos novos proprietários para o desenvolvimento de negócios de mídia em Santa Catarina. Lírio Parisotto atua na área de
mídia por meio de sua empresa Videolar e no setor de petroquímica a partir da Innova. De acordo com o comunicado, Carlos Sanchez amplia o processo de
diversificação de seus negócios, a partir do Grupo NC.
Com o movimento, a RBS focará seus esforços de mídia no Rio Grande do
Sul, onde o grupo empresarial foi fundado em 1958, com marcas jornalísticas como Zero Hora, Rádio Gaúcha e RBS TV. Além dos negócios de
comunicação, o grupo é proprietário da e.Bricks, empresa de investimento digital com atuação no Brasil e nos Estados Unidos.
Durante o anúncio, os acionistas da RBS ressaltaram a Carta Aberta aos catarinenses divulgada logo depois pelos veículos e agradeceram profundamente o apoio e a
dedicação de todos os colaboradores. Também recordaram o envolvimento da RBS com o desenvolvimento do estado e mencionaram momentos marcantes nestes quase 37 anos de
presença da RBS em Santa Catarina - do engajamento da empresa para amenizar os efeitos das enchentes às bandeiras, como a duplicação da BR-101 e o projeto Viver
SC.
Carta Aberta
"Muito obrigado, Santa Catarina!
Neste momento em que é
anunciada a conclusão do acordo para a venda das operações que atuam sob a marca RBS em Santa Catarina, pedimos licença para dirigir uma mensagem a todos os
catarinenses. Desde que a RBS chegou a Santa Catarina – e lá se vão quase 37 anos – tornou-se evidente que brotava naquele maio de 1979 muito mais que um
investimento empresarial dos vizinhos ao sul. Surgia ali uma associação emocional entre a RBS e os catarinenses, uma combinação que nasceu e se desenvolveu em um
imutável compromisso da empresa: refletir por meio de seus profissionais e veículos os anseios, as vocações e a extraordinária diversidade de Santa
Catarina rumo a seu futuro.
Nas mais de três décadas e meia de presença da RBS em solo catarinense foi assim. Torcemos e
celebramos juntos as muitas conquistas no esporte, na economia e na vida das pessoas, como a duplicação da BR-101. Choramos com as enchentes e os acidentes mas trabalhamos dia
e noite para que o sofrimento fosse superado o mais rapidamente possível. Na nossa missão de informar, também criticamos e denunciamos coisas que nos pareciam erradas,
sempre com a intenção de aprimorar a sociedade. Nos empenhamos em todos os espaços para que Santa Catarina fosse ouvida e admirada pelo seu próprio povo e pelo
Brasil inteiro. Lutamos sem descanso pelas reivindicações e aspirações dos catarinenses, e também sofremos com as inevitáveis
frustrações.
Nos orgulhamos ainda por ter criado ao longo destes quase 37 anos milhares de empregos e por inaugurar uma inovação
tecnológica atrás da outra em nossos veículos de Santa Catarina. Mas aqui não é o espaço para essa contabilidade. Nesta carta, queremos agradecer
profundamente a todos os catarinenses por nos ajudar a construir um sonho: uma grande empresa de comunicação que refletisse um grande Estado e sua gente extraordinária.
Esse sonho só foi possível graças ao apoio do público, de clientes, de agências de publicidade e de todos os colaboradores da RBS que fizeram e fazem parte
desta história. A eles, nosso reconhecimento e gratidão.
Desejamos que os novos controladores das TVs, dos jornais e das
rádios sejam tão bem recebidos pelos catarinenses como nós o fomos. Temos a certeza de que os profissionais que vocês conhecem e admiram seguirão dando o
máximo de si para dignificar suas atividades, a empresa, as comunidades e o Estado em que vivem.
Por fim, gostaríamos de relembrar a campanha com
que a RBS desembarcou aqui em 1979 – "Santa Catarina, meu Amor" - para dizer do fundo do coração: aprendemos com os catarinenses a amar esta terra para sempre.
Muito obrigado, Santa Catarina.
Grupo RBS"