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01/03/2016 | 06:21 | Praia Notícias | Polícia

Freira suspeita de agressão diz à polícia que idosa 'fantasiou' chinelada

Em depoimento nesta segunda (29) em SC, religiosa negou agressões

Em depoimento nesta 

segunda (29) em SC, religiosa negou agressões
Freira é suspeita de maus-tratos (Foto: Gabriel Felipe/RBS TV)
A Polícia Civil ouviu na tarde desta segunda (29) a freira de 42 anos suspeita de agredir três idosos em um asilo de Laguna, no Sul catarinense. Segundo o delegado Flávio Gorla, a religiosa afirmou que não cometeu nenhum ato violento e que a idosa de 72 anos que diz ter levado chineladas no rosto "estava depressiva e fantasiou a situação".
"Ela negou ter agredido fisicamente qualquer idosa da instituição. Também relatou que não tinha desentendimento com nenhuma pessoa do asilo, não sabia o motivo pelo qual faziam as acusações", disse o delegado Gorla. Três pessoas depuseram contra a freira, além das vítimas.
A freira prestou depoimento nesta segunda acompanhada de outras duas irmãs da mesma congregação e de um advogado. Segundo ela, a transferência em janeiro para outro asilo, em Nova Veneza, não foi por consequência da denúncia, mas um pedido da própria instituição de Nova Veneza.
Delegado vai pedir afastamento
Conforme Gorla, a intenção é concluir o inquérito ainda na terça-feira (1º). Uma outra ex-funcionária do asilo deverá prestar depoimento no início da tarde de terça. Ela vai esclarecer uma acusação sobre amarrar idosos e dar tapas na cabeça deles.
Mesmo sem este último depoimento, o delegado afirmou nesta segunda que deve solicitar uma medida cautelar de afastamento. "Devo representar a medida cautelar para afastamento da função, mas somente com o final do inquérito pode haver o indiciamento pelo crime de tortura", explica Gorla.
A freira disse à polícia que é natural de Monte Azul (MG), fez os votos há 16 anos e técnica em enfermagem há nove anos. Ela trabalhou por três anos no asilo em Laguna. A religiosa também afirmou que sempre esteve em "plena sanidade mental".
Relembre o caso
O caso chegou até a Polícia Civil após uma denúncia anônima feita ao Ministério Público. De acordo com o relato do denunciante, uma idosa de 72 anos recebia chineladas no rosto e apanhava com toalhas molhadas quando desobedecia alguma ordem da freira.
A ocorrência foi registrada no Asilo Santa Isabel, no bairro Magalhães, que abriga 37 idosos e tem 24 funcionários. Inicialmente apenas uma idosa era conhecida como vítima das agressões. Porém, após depoimento de uma ex-enfermeira, outras duas senhoras também confirmaram os maus-tratos.
De acordo com testemunhas e os relatos das próprias vítimas, todas as agressões aconteciam em casos de desobediência: "Elas eram agredidas quando não queriam tomar banho, ou ir dormir. Em geral quando não obedeciam a alguma ordem", explica o delegado.
Depoimentos
Em depoimento na quinta-feira (25), uma ex-enfermeira, que trabalhou no asilo durante o período das agressões, entre setembro de 2015 e janeiro de 2016, falou sobre as reclamações de maus-tratos de outras duas idosas.
"Segundo essa ex-enfermeira, três idosas relataram as agressões. Uma não conseguia andar e a freira ordenava que ela se levantasse e andasse. A vítima ficava triste porque não conseguia", conta o delegado Flávio Gorla.
Outra ex-funcionária, que trabalhou na unidade entre 2014 e 2015, disse em depoimento na última sexta-feira (26), que havia outra pessoa dentro do asilo que também agredia as pacientes.
"Essa outra suspeita não é freira, é uma funcionária contratada e que ainda trabalha no asilo. A testemunha disse que presenciou essa mulher dando um tapa na cabeça de uma dessas idosas e que ela costumava amarrar uma das idosas que vez em quando tinha costume de fugir", conta o delegado.
Segundo a Polícia Civil, a ex-enfermeira e a ex-funcionária disseram que teriam alertado a diretoria sobre as agressões.
Fonte: G1
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