Divulgada nesta segunda-feira (29) pela
Fecomércio, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) mostra que o indicador encerrou fevereiro em 63,2%, contra 50,9% registrados no mesmo
período do ano passado. As restrições impostas pelo cenário econômico foram responsáveis pelo aumento do nível de endividamento das
famílias gaúchas, segundo a entidade.
“A expansão do percentual de gaúchos endividados verificada nos últimos meses foi a
esperada diante do atual quadro da economia brasileira, permanecendo, no entanto, em patamar inferior ao de 2010 e 2011, quando o índice superou 70%”, avalia o presidente da
Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn. Queda do emprego, redução da renda e inflação elevada são os elementos que estão determinando o crescimento
do índice de endividamento das famílias.
A PEIC-RS de fevereiro mostra que a parcela da renda comprometida com dívidas cresceu na média
de 12 meses, passando de 31,5% (janeiro/2016) para 31,8% (fevereiro/2016). O tempo de comprometimento, ainda na média em 12 meses, permaneceu em 7,7 meses. O cartão de
crédito segue como o principal meio de dívida dos gaúchos, apontado por 80,7% dos endividados, seguido por carnês (26,8%), crédito pessoal (13,4%) e cheque
especial (11,8%).
O percentual de famílias com contas em atraso cresceu significativamente em fevereiro/2016 na comparação com o mesmo mês
de 2015: saiu de 17,6% para 28,7%. “A deterioração acelerada no mercado de trabalho, com efeito sobre os níveis de emprego e renda, além da
inflação alta, geram um forte viés de aumento da inadimplência. Isso requer mais cuidado por parte das empresas na concessão do
crédito.”, considera Bohn.
A média de famílias que não terão condições de regularizar nenhuma parte de suas
dívidas em atraso no prazo de 30 dias atingiu 10,1% em fevereiro/2016, crescendo em relação ao mesmo mês do ano passado (8,5%). “Mais uma vez, o indicador
mostra a dificuldade das famílias que ingressam em inadimplência para sair dessa situação”, alerta o presidente da Fecomércio-RS.