O motivo descrito por uma testemunha para a morte da cabeleireira Vanessa Medianeira Souza Brito, 35 anos, entre o final da noite de sábado e o início da
madrugada de domingo, chocou até experientes policiais: ela foi assassinada por ter chorado após sofrer um assalto.
Vanessa foi encontrada morta por
volta de 1h30min de domingo, na rampa de acesso à passarela da Estação Rodoviária, na Rua Conceição, no Centro da Capital. Havia marca de golpe de
faca na barriga. Ao lado do corpo havia uma mala rosa. Como não foram encontrados dinheiro e documentos, a hipótese de latrocínio (roubo com morte) foi aventada desde o
início pela polícia.
As polícias Civil e Militar agiram rápido e, durante a manhã, PMs do 9º BPM e equipes da volante e da
2ª DHPP da Polícia Civil, a partir de uma ligação anônima ao telefone 190, localizaram nas proximidades de um hotel na Avenida Júlio de Castilhos o
casal Tatiane Aquino dos Santos, 31 anos, e Cleiton Gil Moraes de Farias, 39 anos.
Com eles, foram encontradas, entre outros objetos, quatro facas, diversas carteiras e
três bolsas, incluindo a que havia sido roubada de Vanessa. Cleiton estava foragido do regime semiaberto.
De acordo com a delegada Roberta Bertoldo da Silva,
plantonista da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o latrocínio foi testemunhado por um homem, ouvido ainda durante a manhã
de domingo, na delegacia. A testemunha afirma ter visto Vanessa numa parada de ônibus na Rua Júlio de Castilhos, próximo à esquina com a Rua
Conceição, e alertado-a de que aquele era um local perigoso.
Pouco tempo depois, o mesmo homem viu Vanessa sendo imobilizada por Cleiton e ameaçada
por Tatiane, que conseguiu roubar a bolsa. Os ladrões já se afastavam, quando ouviram o choro da vítima. Cleiton, então retornou:
— Eu te avisei que não era para chorar — disse ele, enquanto desferia um golpe da faca na barriga de Vanessa, de acordo com a testemunha.
Vanessa, de
acordo com o que apurou a polícia, era natural de Uberaba, em Minas Gerais, mas estava morando em Restinga Seca, na Região Central do Estado. Teria vindo a Porto Alegre para
visitar o namorado.
Ouvido pela polícia, o namorado disse acreditar que a cabeleireira tivesse a intenção de lhe fazer uma surpresa, pois não
avisou que viria a Porto Alegre. Por isso, ele não foi à Estação Rodoviária busca-la, como costumava fazer.
O casal foi
autuado em flagrante por latrocínio e colocado em uma mesma cela do plantão das DHPPs, até ser encaminhado ao sistema penitenciário.