Dois moradores de Penha, que trabalhavam na instalação de um toldo, levaram um choque
elétrico de 15 mil volts e estão entre a vida e a morte. Claudenir Pereira, 29 anos, e o colega de trabalho Malone Escopel Pereira, 27, estão internados na UTI do
hospital Marieta Konder Bornhausen, de Itajaí. Dois helicópteros foram acionados para levar as vítimas para o hospital.
Era quase 10h da manhã
quando três trabalhadores carregavam o toldo, que seria instalado no segundo andar da casa 221 da rua Francisco Manoel da Silva, no bairro Gravatá, em Navegantes. Eles estavam
na sacada quando um dos ferros da armação do toldo encostou num cabo de média tensão, por onde circulam 15 mil volts de energia elétrica.
Com o choque, um dos rapazes, identificado como Carlos, foi arremessado para dentro da casa e praticamente nada sofreu. Foi ele quem chamou o socorro para os parceiros. Claudenir e
Malone ficaram presos embaixo da estrutura metálica do toldo e continuaram recebendo a carga elétrica por cerca de 10 minutos, segundo os bombeiros e a Celesc.
Os trabalhadores somente puderam receber socorro depois que a rede foi desativada, informou o capitão bombeiro José Ananias Carneiro. “Uma parte da estrutura
metálica que estava em contato com o cabo elétrico ia queimando como se fosse um papel”, contou o capitão, que participou do socorro.
Claudenir e Malone, que estavam com a maior parte do corpo embaixo das ferragens, ficaram com queimaduras de primeiro, segundo e terceiro graus pelas costas, braços e peito. Os dois
gritavam muito de dor e receberam os primeiros atendimentos dos bombeiros militares de Navegantes, com auxílio do Samu, e da tripulação dos helicóptero do
Batalhão de Operações Aéreas e do Águia, da polícia Militar de Joinville.
Os dois tiveram que ser reanimados, oxigenados e
estabilizados pelos socorristas para depois serem encaminhados ao hospital Marieta Konder Bornhausen. Até ontem à noitinha, eles estavam internados na UTI.
O pai de um deles também teria sido hospitalizado. Ao saber do acidente do filho, o homem sofreu um ataque cardíaco.
Engenheiro da Celesc diz que choque
costuma matar
O engenheiro Denis Daniel Santos Souza, da Celesc, contou que assim que Claudenir e Malone receberam a primeira descarga de 15 mil volts, um
fusível de proteção da rede acabou se desligando automaticamente. Com isso, a tensão ficou em meia fase, reduzindo a descarga elétrica para 7,5 mil volts,
depois do primeiro impacto.
Denis destacou que a carga recebida pelos dois é considerada letal. “As pessoas que sobrevivem a estes casos ficam com sequelas
causadas pela alta voltagem e pelas queimaduras”, afirmou o engenheiro.
Em caso de operações ou trabalhos que são executados
próximos à rede elétrica, para evitar esse tipo de situação, o ideal é avisar a Celesc para que as condições de segurança
possam ser avaliadas pela empresa, destaca o engenheiro Denis. “Ou a gente passa as informações para orientar ou a gente providencia o desligamento de rede”,
explica o engenheiro.
Durante o acidente que botou os dois trabalhadores na UTI, parte da rede do bairro Gravatá ficou em meia fase por cerca de 15 minutos,
o que pode ter ocasionado também a queima de aparelhos ligados à energia. A Celesc não sabe precisar quantas unidades consumidoras foram atingidas pela queda de
energia.