É com muito entusiasmo que Fernanda, de 23
anos, mostra o prédio de 64 m2 da agroindústria de laticínios, erguido há um ano, símbolo de um sonho de sua família, que vive na comunidade de
Alpargatas, interior de Boa Vista do Buricá. Os Christ buscaram a Assistência Técnica da Emater/RS-Ascar e organizaram-se, com atenção voltada desde a
produção da matéria-prima até a disponibilização dos produtos ao consumidor final, para fornecer alimentos com qualidade reconhecida.
Nesta quarta-feira (27/01), a família, que também é beneficiária do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF), recebeu a visita
do contador da Unidade de Cooperativismo da Emater/RS-Ascar, Roberto Ferreira. Juntos, discutiram o planejamento e a organização dos recursos e finanças, de modo
especial o custo de produção. Ferreira destaca a importância da gestão e do controle financeiro dos empreendimentos. A gestão eficiente de
agroindústrias familiares, como da família Christ, é de grande importância para o sucesso do empreendimento. “Mesmo sendo um empreendimento familiar,
é necessário que a família tenha informações confiáveis e precisas para gerir sua agroindústria”, destaca o contador.
O trabalho é resultado de busca de conhecimento e qualificação. “A agroindústria é a realização de um sonho de pelo menos oito
anos, mas para iniciar os trabalhos buscamos conhecimento e capacitação”, relata Paulo Christ, que participou dos cursos de Boas Práticas de
Fabricação e Produção Artesanal de Queijos, no Centro de Treinamento da Emater/RS-Ascar de Bom Progresso (Cetreb). Incentivada, a filha Fernanda também
participou dos cursos. “A Emater, através do escritório municipal, auxiliou em todas as etapas, desde os cursos de capacitação e na
elaboração do projeto da agroindústria, até nas orientações após o início da produção. Agora também temos o
apoio da Unidade de Cooperativismo”, relata Fernanda. A agroindústria também recebeu incentivo da Administração Municipal de Boa Vista do Buricá.
Ainda é realizado um trabalho conjunto com o médico veterinário Tarciso Mattner, da Secretaria Municipal da Agricultura, responsável pela inspeção
municipal.
O projeto da construção da agroindústria, bem como os projetos de crédito para aquisição de equipamentos e
veículo, foi elaborado pelo extensionista da Emater/RS-Ascar, Vanderlei Sipp.
Para o desenvolvimento das ações, o empreendimento foi incluso no
Programa Estadual de Agroindústria Familiar, da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR).
A denominação de
agroindústria familiar fica clara na divisão das tarefas. Marlene, a mãe, é responsável pelo manejo e ordenha dos animais, sendo que a matéria-
prima utilizada é produzida na propriedade. Para manter a regularidade, a irrigação em quatro hectares de pastagem é uma aliada. Fernanda dá conta da
transformação da matéria-prima que resulta em queijos, iogurte, bebida láctea e leite pasteurizado. Paulo, o pai, responsabiliza-se pela entrega dos produtos.
Quando alguém precisa de ajuda em algumas das etapas, não tem dúvida do auxílio do outro, bem como do apoio de outros familiares, como o irmão Douglas e o
avô João Egídio.
Em média, mais de 5.500 litros de leite são transformados mensalmente em bebida láctea, leite pasteurizado,
iogurte e queijo dos tipos colonial e temperado. Parte dos produtos é fornecida para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), além do fornecimento em
feiras e venda direta ao consumidor. “Eu sempre tive o sonho de, aos 25 anos, ter o meu próprio negócio e a minha casa. Estou muito próxima de realizá-
lo”, comemora Fernanda. A agroindústria também é associada da Cooperativa da Agricultura Familiar Cooper São José.