O acidente de trânsito, que marcou o sábado em Florianópolis matando
quatro jovens baianos, não dá fim aos sonhos apenas deles. Mas também de suas famílias. Com idades entre 19 e 23 anos, a moça e os três rapazes eram
a esperança de pais e irmãos para, com a ajuda deles, melhorar as condições de vida no sertão baiano. No acidente ocorrido por volta das 14h, na Via
Expressa Sul, morreram Rosa Nunes, 19 anos; Hugo de Almeida Filho, 24 anos; Getúlio Jesus de Souza, 23 anos, e Gilmar de Jesus Almeida, 19. O carro trafegava no sentido São
José-Florianópolis.
Os quatro jovens eram de cidades vizinhas na região de Feira de Santana, a cerca de 120 quilômetros de Salvador.
A família de Rosa Nunes vive em Coração de Maria, que tem 23 mil habitantes. Os familiares de Hugo de Almeida Filho, Getúlio Jesus de Souza e Gilmar de Jesus
Almeida moram no sertão de Irará, 30 mil moradores. Todos eram conhecidos e foram atraídos para Santa Catarina pelo mesmo motivo, a oportunidade de
emprego.
Um relato da mãe de Rosa trouxe ainda mais comoção na pequena cidade baiana. Na noite de sexta para sábado, ela sonhou
que a filha encontrava-se em estado de coma. Como ficou preocupada, decidiu telefonar para a jovem ainda nas primeiras horas da manhã de sábado. Pediu para que tomasse cuidado
e evitasse sair de casa. Quase cinco horas depois, o telefone tocou em Coração de Maria: era uma pessoa avisando sobre o acidente fatal.
Ano passado,
os mesmos jovens conviveram com a notícia triste da morte de um amigo também vindo da região: o rapaz perdeu a vida em um acidente de trânsito ocorrido em uma
rodovia catarinense. Rosa também havia tomado um susto em 2015, depois de sofrer um acidente de moto. Ainda se recuperando das fraturas, amparava-se em muletas e estava com
pínus de metal em uma das pernas. Aguardava o pagamento do Seguro Obrigatório de Danos Pessoais, o DPVAT, para retornar a Bahia e rever os familiares.
Rosa
foi mãe muito jovem. O menino de quase três anos é criado pela avó, em Coração de Maria. Ela tem cinco irmãos e a família luta com
dificuldades para sobreviver. A morte violenta dos jovens foi notícia nas rádios da região. O locutor Alex Barbosa, da Rádio Coração de Maria,
disse que toda a região está sob comoção. A falta de oportunidades faz com que em todas as famílias os jovens tenham que partir para outras regiões
do país.
Os corpos foram identificados no sábado, e na tarde deste domingo permanecem no Instituto Médico Legal (IML) de Florianópolis.
Para a liberação é necessária a presença de um familiar em primeiro grau. Como se tratam de famílias muito pobres e sem condições de
bancar os custos da viagem, os serviços de assistência social das duas cidades baianas tentam o traslado dos corpos mediante autorização por escrito.