Após 12 dias do cumprimento da prisão temporária de Matheus de Ávila Silveira, 23 anos, pela morte de uma criança indígena de dois
anos, que estava sendo amamentada pela mãe próximo à rodoviária de Imbituba, o suspeito confessou pela primeira vez a autoria do crime à Polícia
Civil da cidade.
Foi apenas no terceiro interrogatório, ontem, que o investigado assumiu a autoria do crime. Segundo o Delegado de Polícia Civil Raphael
Giordani, responsável pelo caso, o suspeito alegou que degolou a vítima motivado por influências de uma religião. No interrogatório – acompanhado por
dois advogados – ele falou que, segundo promessas de espíritos, se ele matasse uma criança poderia alcançar seus anseios profissionais e se impor (ser aceito)
perante a sociedade.
Nos outros dois interrogatórios ele negou a autoria do crime. Quando teve o mandado de prisão temporária cumprido, em 1 de
janeiro, estava sozinho, falou pouco, mas negou a autoria. Na segunda vez, acompanhado por representantes da OAB, falou um pouco mais, mas continuou negando a autoria do assassinato. Desta
vez, ele falou por cerca de 20 a 30 minutos (foi gravado em vídeo o interrogatório) e assumiu a autoria do crime.
Quando Giordani mostrou-lhe os
vídeos que captaram sua chegada ao local do crime, e o momento em que efetivamente matou a criança, o investigado afirmou ser ele em todos os momentos e que os objetos
apreendidos (mais precisamente, suas vestes) são exatamente as mesmas que ele usava no fatídico dia.
Ao ser questionado por que escolheu uma
criança como sua vítima, afirmou que não teve motivo específico para matar aquela criança. “O suspeito disse que a matou porque criança
é um ser sensível e a sociedade ficaria mais chocada e seria mais impactante”, destacou Giordani.
Durante a oitiva, o investigado afirmou que
não cometeu o crime contra aquela criança pelo fato dela ser indígena, não havendo nenhuma influência de raça ou cor no cometimento do
bárbaro crime e que não estava lúcido quando o fato ocorreu.
O inquérito policial já está em fase final de
investigação, e que nos próximos dias a Polícia Civil enviará o procedimento ao Poder Judiciário de Imbituba, com a consequente
representação pela prisão preventiva do suspeito, que permanece na UPA de Imbituba.