Segundo o escritor Luiz Fernando Veríssimo, uma grande mentira repetida com convicção por muitos
repetidores, estende seu prazo de validade e, eventualmente se torna uma verdade por muito tempo. É exatamente o que acontece com os estoques mundiais de soja divulgados pelo
Departamento de Agricultura Americano (USDA).
Segundo o USDA, o ano safra de 2014/15, findou com estoque mundial de soja em 76,930 milhões de toneladas,
composto por 5.190 mi t dos Estados Unidos, 31.660 mi t da Argentina, 19,010 mi t do Brasil, 17,030 mi t da China e, alguns outros com menores quantidades que ninguém sabe se
realmente existem. Todos sabemos que nem o Brasil e nem a Argentina possuem esses estoques. Ademais, o estoque de soja da China é construído pela produção da
safra de soja colhida em setembro, mais o estoque nos portos que sempre ficam ao redor de 5,0 milhões de toneladas e, mais do que isto, a safra chinesa de soja nem deveria entrar na
tabela de oferta & demanda mundial, porque a mesma é destinada ao consumo humano.
O agravante é que esse estoque mundial fictício de 2014/15,
entra na tabela mundial de 2015/16, como estoque inicial o que aumenta a estimativa do estoque final da próxima safra para 79,280 milhões de toneladas. Os números
fictícios foram sendo acumulados de muitas safras e, esta é a razão que indistintamente todos os participantes do mercado fazem referencia ao ´grande estoque
mundial de soja`, que verdadeiramente não existe. Esta afirmação nunca desmentida tem sido um fator de pressão para os preços cotados na Bolsa de
Chicago.
As autoridades alfandegárias da China divulgaram as importações de soja no ano de 2015 na ordem de 81,690 milhões de toneladas,
ou seja, 14% acima do ano de 2014, o que ficou em linha com nossas estimativas. A considerar que a safra mundial de soja de 2015/16 estimada 319,010 milhões de toneladas,
praticamente repete a safra do ano anterior e, não provisiona qualquer aumento da demanda e, também não permite qualquer prejuízo na safras de soja sul
americana. Portanto, mesmo o Brasil não tendo perdas e produzindo 100 milhões de toneladas, muito provavelmente será um ano de oferta bastante apertada a nível
global.
Faz-se necessário entender que os analistas da Bolsa de Chicago trabalham em favor dos investidores que negociam cerca de 5 bilhões de
toneladas de soja em contratos futuros e opções, ou derivativos cujo fato gerador é o produto. Não lhes interessa prestar serviço para os produtores,
porque suas operações ficariam restritas a produção física mundial de 319 milhões de toneladas. Entretanto são totalmente dependentes do
produto, que é soberano e sem a negociação do mesmo não podem seguir emitindo títulos para a grande indústria de derivativos. O assédio
é para que os produtores estejam sempre negociando ou vendendo o produto, neste caso a soja.
Nossa consultoria busca estabelecer uma cultura de mercado
genuinamente brasileira, que oferece a condição aos assinantes de estarem muito próximos da realidade e da inteligência do mercado mundial de produtos
agrícolas. É importante saber que nem tudo que é noticiado no mercado aberto corresponde a realidade, porque se assim fosse não vos informariam.