Em depoimento de delação premiada, o
lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, afirmou que a empreiteira gaúcha Brasília Guaíba teria procurado o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) para intermediar
negócios com a Petrobras. Em troca, o parlamentar exigiria doações de campanha.
A construtora nega qualquer relação com Raupp, mas
confirma que contratou o lobista como “intermediário comercial” em busca de negócios na estatal.
Baiano é apontado como braço do
PMDB no esquema de corrupção na Petrobras desbaratado pela Operação Lava Jato. Após firmar acordo de delação premiada, ele cumpre
prisão domiciliar.
O depoimento em que cita a empresa gaúcha foi prestado em 14 de setembro de 2015, na Superintendência da Polícia Federal
em Curitiba, e foi anexado a um inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar Raupp.
Segundo Baiano, em 2009 o senador lhe
apresentou o projeto da Brasília Guaíba. Raupp já teria levado a proposta até Paulo Roberto Costa, então diretor de abastecimento da Petrobras. Em
parceria com uma empresa alemã, a construtora queria vender à estatal uma tecnologia para reaproveitar gás de refinarias na geração de energia.
Interessado, o lobista se reuniu no Rio de Janeiro com André Loiferman, executivo da empreiteira. Na Petrobras, ele reforçou as negociações com Paulo
Roberto.
Já em 2010, conforme Baiano, Loiferman revelou que era pressionado a doar para a campanha de reeleição de Raupp. A
Brasília Guaíba não fechou contratos com a Petrobras e não realizou repasses. O parlamentar teria perguntado ao lobista sobre o desfecho do negócio e
reforçado o pedido de dinheiro. Baiano diz que a verba foi viabilizada pela Queiroz Galvão.
Procurado pela reportagem, Loiferman, diretor-presidente da
Brasília Guaíba, confirma que contratou Baiano como intermediário para apresentar o projeto de reaproveitamento de gás junto à Petrobras e outras empresas
de petróleo da América Latina. À época, ele não desconfiava do envolvimento do lobista no cartel.
“A indicação dele
veio do mercado, não foi de partidos políticos. Ele nos foi apresentado como uma pessoa que atuava para várias empresas na área de óleo e
gás”, diz.
A tecnologia, esclarece o executivo, é de uma empresa americana, e não alemã como descreve o depoimento. Na
negociação, Loiferman ofereceu comissão sobre os contratos que fossem fechados, mas Baiano sugeriu participação como sócio, o que não se
confirmou. A Brasília Guaíba chegou a apresentar o projeto na Petrobras para uma refinaria no Rio, mas sem sucesso.
Segundo o executivo, o último
contrato da empreiteira com a estatal tratou do gasoduto Brasil-Bolívia, na década de 1990. A maior parte dos contratos com o governo federal é na área de
rodovias. Sobre Valdir Raupp, ele negou conhecer ou ter sido pressionado para colaborar com a campanha do senador.
“Nossa empresa nunca teve nenhum relacionamento
nem foi demandada pelo senador”.
Raupp refuta as acusações de Baiano e também nega ter intermediado contratos para Brasília
Guaíba na Petrobras.
“Não conheço ninguém dessa empresa nem eles fizeram contato comigo. É uma confusão mental do
delator. Afirmo com 100% de segurança que lá no final vai ser provado que não houve qualquer contato”, diz o senador.