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01/01/2016 | 08:45 | Geral

Qual será o impacto da alta do ICMS no bolso dos gaúchos

Reajuste no imposto estadual irá corroer metade do ganho salarial em 2015

Reajuste no imposto estadual irá corroer metade do ganho salarial em 2015
Foto: Roni Rigon / Agencia RBS
A vida dos gaúchos vai se tornar mais cara a partir de sexta-feira. É quando começam a valer as novas alíquotas de ICMS aprovadas pelo governo do Estado na Assembleia Legislativa em setembro. O impacto no bolso não será pequeno: nos cálculos da Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado (Fecomércio-RS), o peso extra no orçamento mensal de uma família de classe média chegará a 4,6%.
Ou seja, o tarifaço do governo irá corroer quase metade dos ganhos com reajustes salariais obtidos pelos trabalhadores em 2015, que foi de 9,82%, conforme dados do Dieese para os acordos coletivos fechados no primeiro semestre.
E nem se deve esperar que as empresas sacrifiquem suas margens e absorvam parte da alta, acreditam economistas: o lucro de indústrias e supermercadistas já está espremido em tempos de crise.
— Os empresários também terão maiores custos para produzir, pois terão de pagar mais pela luz, pelo telefone ou no frete, por exemplo — explica Patrícia Palermo, economista da Fecomércio-RS — A conta deverá acabar sendo paga mesmo pelo consumidor.
São os produtos e serviços considerados essenciais que se esticarão mais com o aumento de ICMS. O imposto sobre a conta de luz passará de 25% para 30%. O mesmo percentual pesará sobre o litro da gasolina — coincidência ou não, dois serviços cujos preços são regulados por governos que foram às alturas ao longo de 2015.
O caso da gasolina é exemplar. Em janeiro, o consumidor pagava R$ 2,92 pelo litro em postos de Porto Alegre, conforme a pesquisa de preços da UFRGS — o IPC/Iepe. Em dezembro, em razão de reajustes determinados pela Petrobras, o valor havia passado para R$ 3,69 (alta de 26%), e na próxima sexta-feira saltará para R$ 3,95 (novo ajuste de 7%). Disparada de 35,3% em um ano.
O ritmo no qual os consumidores passarão a se deparar com os reajustes varia. Alguns produtos em fartura nos estoques de lojistas, como roupas e algumas marcas de vinhos e refrigerantes, poderão demorar até dois meses para subir. O preço pelo uso da luz e do telefone já sobe imediatamente, mas estará nas contas a serem pagas em fevereiro. Os combustíveis devem subir já na sexta- feira.
— Os distribuidores já começam a pagar imposto maior no dia 1º, e repassam imediatamente para os postos — esclarece o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Rio Grande do Sul (Sulpetro), Adão Oliveira.
Com o reajuste do ICMS, a Secretaria da Fazenda projeta um incremento na receita líquida para o Estado de quase R$ 1,9 bilhão por ano. A medida está entre as ações de ajuste fiscal do Estado, mas ainda insuficiente para cobrir o déficit financeiro previsto para 2016 em R$ 4,6 bilhões — agravada pela queda de arrecadação em ano de crise.
Fonte: Zero Hora
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