Com a greve dos médicos peritos que se arrasta por 106 dias (76 úteis), os usuários do INSS estão sofrendo com a constante
remarcação de perícias. Segundo informações da Associação Nacional dos Médicos Peritos (ANMP). Além disso, 80% das
perícias marcadas não são realizadas.
No Rio Grande do Sul, 225.330 atendimentos deixaram de ser realizados nas agências. O
cálculo é feito com base em dados da ANMP: são 210 peritos parados no Estado, e cada um realiza, por dia, uma média de 14,5 atendimentos.
Em Três de Maio, o gerente da agência do INSS, Cláudio Weiss, informa que a médica lotada na unidade está atendendo nas segundas, quartas e sextas-feiras.
Ela não atende, no entanto, nas terças e quintas-feiras. Já o outro perito, que dá suporte aos atendimentos, está em greve. Weiss orienta às
pessoas interessadas em encaminhar algum tipo de benefício para que compareçam ao INSS independente da presença de médico porque uma decisão judicial
determina a concessão automática e provisória de benefícios ao trabalhador quando o agendamento do exame ultrapassar 45 dias da data do requerimento.
Desta maneira, o benefício fica garantido até a data da perícia oficial, que pode ou não confirmar a doença. Depois que o exame for
realizado, o dinheiro que o segurado recebeu não pode ser cobrado ou devolvido.
“As pessoas interessadas podem vir à agência independente
do dia porque existe a possibilidade da concessão do benefício sem passar por perícia média por até 60 dias. Quando ultrapassa 45 dias entre a data de
agendamento da perícia e o atendimento do médico, já é permitido analisar a documentação do usuário diretamente no balcão”,
explica.
Para quem não foi atendido em decorrência da paralisação, o INSS esclarece que os eventuais prejuízos financeiros
decorrentes dos benefícios concedidos retroagem à primeira data agendada. A Central de Atendimento 135 oferece orientação aos segurados e realiza os
reagendamentos.
Os peritos médicos reivindicam a redução da carga horária de 40 para 30 horas semanais, a incorporação da
gratificação GDAM aos salários, a redução de 16 para 10 categorias na carreira e a extinção de um curso para chegar à última
categoria e reposição salarial de 27,5%.