O prefeito de Santa Rosa, Alcides Vicini, diz que enfrenta dias de "tortura" no Litoral de Santa Catarina, onde acompanha as buscas ao filho Cristiano Vicini, de 36 anos,
desaparecido desde 29 de janeiro. O reencontro entre pai e filho ainda não aconteceu e Alcides diz ter esperança. Porém, prepara o retorno para reassumir na
próxima semana o mandato na cidade do Noroeste do Rio Grande do Sul.
"Não adianta, há coisas que tenho de resolver", diz ao G1.
"Tenho de tocar em frente. Esta questão pessoal está me afetando, mas eu tenho um compromisso com a comunidade e estou retornando para reassumir a prefeitura. Vou
acompanhar à distancia o trabalho da Polícia Civil", explica.
Alcides chegará ainda neste final de semana a Santa Rosa. No último dia
21, ele havia pedido licença e transmitido interinamente o cargo ao vice Luis Antônio Benvegnú. Ele já havia ido a Balneário Camboriú, onde
Cristiano mora, para acompanhar o trabalho da Polícia Civil. O prefeito se corrigiu logo depois de dizer que havia saído de "férias". "Não
dá para chamar de férias, foi uma tortura esse período", desabafa.
Em pelo menos três vezes, o político conta ter enfrentado o
"pesadelo" de ter de ir ao necrotério reconhecer um corpo que poderia ser de seu filho. Depois, veio o alívio.
"Tivemos nestes dias
várias corridas ao necrotério. Imagina que momento... ontem mesmo houve o anúncio de que tinha falecido um homem não identificado. Fomos lá e,
graças a Deus, depois do confronto das impressões digitais ficou comprovado que não era ele. Foram três ou quatro vezes que estivemos no necrotério, e cada
vez é um pesadelo", conta.
Cristiano foi visto pela última vez saindo de casa e pegando um moto-táxi em direção à
Rodoviária de Camboriú. Não há imagens mostrando em qual ônibus ele pode ter embarcado. A última notícia que Alcides teve do filho foi um
vídeo que mostra um homem semelhante a ele em uma agência lotérica de uma cidade do litoral catarinense.
"Não cheguei a ver o rosto, mas
tem todos os traços dele. Não havia imagem frontal, eram câmeras laterais. É a nossa esperança. Fora isso, vamos ficando muito inquietos", diz o
prefeito.
Enquanto Alcides volta a se dedicar à prefeitura, sua mulher permanecerá em Santa Catarina acompanhando as buscas. Ele pede que qualquer
informação sobre o possível paradeiro do filho seja repassada para a Polícia Civil de Santa Rosa pelo telefone (55) 3512-5911.