Uma troca de tiros deixou um
policial morto e um assaltante ferido após assalto a uma joalheira na rua Adolfo Inácio Barcelos, no Centro de Gravataí, na tarde desta segunda-feira (30). Segundo o
comandante do 17º Batalhão da Brigada Militar, tenente-coronel Vanderlei Padilha, o soldado - identificado como Rafael de Ávila Oliveira, 30 anos - chegou ao Hospital Dom
João Becker em estado grave e não resistiu aos ferimentos no tórax. O tiro entrou pela lateral do colete à prova de balas.
Conforme a
Brigada Militar, os bandidos entraram no estabelecimento armados e foram surpreendidos pela polícia ao deixarem o lugar.
O assaltante baleado, Robson Borges
da Silva, 27 anos, segue em atendimento no hospital. Edmilson Santos da Silva, 29 anos, também foi preso no local. Outro criminoso, conseguiu fugir em um Prisma branco. O
veículo foi encontrado no Bairro El Cadiz, na zona rural da cidade. A polícia faz buscas na região.
O corretor de imóveis João
Batista Duarte conta que se escondeu atrás de uma árvore durante tiroteio "Foi horrível, dezenas de pessoas estavam na rua, tinha crianças, famílias,
eu corri pra me esconder", diz.
Dois disparos atingiram uma loja de bijuterias que fica na mesma rua da relojoaria. Vendedoras e clientes saíram
correndo e se esconderam no banheiro e na cozinha.
"Foram muitos tiros, nós fomos nos esconder. Foi muito assustador", relata a vendedora Carolina
Xavier.
O portal ABAMF, publicou o seguinte
texto:
Gravataí: Porque a morte nunca vem parcelada
Gravataí, Centro, 14h45 de um
quase dezembro. Um trio armado invade a ótica Fialho e anuncia o assalto. Gritos. Pânico. Medo. A Brigada Militar é acionada e uma guarnição intercepta o
veículos com os criminosos. Mas estes não titubeiam: recebem os policiais à bala. O soldado Rafael de Ávila de Oliveira, um jovem de apenas 30 anos, é
atingido no tórax. Era a sua última ocorrência.
O tiro entrou em seu corpo onde o formato do seu colete de proteção
considerava alvo imprevisível. É assim. O destino é um alvo imprevisível.
O soldado Rafael se foi. Talvez uma de suas
preocupações, nesta segunda-feira de sol envergonhado, fosse o parcelamento do seu salário. As contas. O décimo terceiro que não vem, o final de ano, o
sorriso amarelo à família que, com ele, divide as dificuldades de sua escolha profissional.
Mas, ao saber do assalto, ele foi. Sem
parcelar sua vontade. Com gana de trabalhar, de proteger, de resolver a ocorrência. De lutar pela sua sociedade e o seu povo, seja que nome ou status tiver. De honrar os tributos que
esta gente sofrida paga, para muitas vezes apenas beliscar alguns farelos de cidadania.
A dedicação de Rafael, assim como a de seus
colegas, nunca foi parcelada. Foi integral. Sempre.
Sua disposição de morrer pelo que não é seu, pelo que jamais seria seu,
de arriscar a vida por quem sequer conhece, nunca foi parcelada.
Seu amor ao povo gaúcho nunca foi parcelado. E só quem ama, e ama
muito, é capaz de se oferecer ao risco por aqueles que decidiu proteger. E haverá maior ato de amor, na natureza, do que oferecer proteção?
Como as asas dos pássaros. Como as asas dos anjos.
O respeito de Rafael pela cidadania nunca foi parcelado.
Mas andam parcelando a consideração que merecem ele e seus colegas. A consideração que merecem os policiais que não deixam de
cumprir seu dever, como merecem também os professores públicos que, abandonados, dão aulas nos cantos esquecidos em meio à violência.
Por nada. E um nada parcelado. Respeito parcelado.
Mas a dor, esta nunca será parcelada. Nunca.
Rafael deixa este plano no cumprimento do dever. Com o respeito máximo de seus colegas de serviço, de seus amigos e familiares, dos bons cidadãos deste
terra.
E sem ter a chance de ter sido respeitado por quem mais deveria fazê-lo.