Um casal e o filho de 24 anos afirmam terem sido agredidos e detidos por policiais militares dentro da residência da família, durante uma festa na madrugada do
dia 7, no bairro Pedra Branca, em Palhoça, na Grande Florianópolis. De acordo com a família, o policiais foram até a residência após uma
denúncia de barulho. Parte da ação foi registrada pelas câmeras de segurança da casa (veja o vídeo acima).
Segundo o
empresário Luis Cláudio Prado Filho, de 24 anos, a família comemorava o aniversário de um irmão e a primeira comunhão da caçula da
família. Cerca de 15 parentes e amigos, incluindo crianças e idosos, estavam na festa, por volta de 1h. Foi quando um vizinho, que seria tenente-coronel da
Polícia Militar, se incomodou com o som alto na residência, afirma o jovem.
O empresário diz que os hematomas ao redor do olho direito, os
três pontos no supercílio e a boca cortada são resultado dos chutes de cinco policiais dentro da casa da família. Os PMs, de acordo com o jovem, também
deram um soco no rosto pai, Luis Cláudio Prado, de 48 anos, e um tapa na face da mãe, Carmem Regina Prado, de 47.
As imagens das câmeras de
segurança da residência mostram o momento em que Luis Filho, na calçada, conversa com a namorada que está dentro do carro, e a viatura estaciona.
Ao ver, pelo sistema de monitoramento externo, que os policiais falam com o filho, o pai do rapaz sai de casa para verificar o que está havendo. Outros familiares que
participavam da festa o seguem. Luis afirma que pediu para que todos entrassem na casa. A gravação mostra o momento em que o pai tenta fechar o portão, mas um policial
o impede com um soco rosto (veja o vídeo acima).
PM dentro de casa
De acordo com o empresário, a mãe foi
para o jardim da casa, assustada com o que viu, e tentou falar com os PMs. Um deles sobe na mureta e fala com ela com uma arma em punho. Enquanto isso, outras seis viaturas chegaram
à residência e os policiais entraram na casa da família. Pelas imagens, é possível ver uma discussão entre a mulher e os policiais. Um deles chega a
contê-la segurando-a pelo braço.
“Quando os 12 policiais entraram na nossa casa, o som da festa já havia acabado, a pedido de outra
vizinha. Um PM perguntou ao outro: Quem são os responsáveis? Alguém respondeu: o cabeludo e o sem camisa, referindo-se a mim e a meu pai”, conta o
empresário.
Com isso, o pai foi colocado de joelhos no chão da sala de estar. Um policial colocou um joelho sobre a cabeça do homem, que fica
apoiada no sofá, enquanto o algemava.
Luis relata que, enquanto via o pai ser preso, dois PMs o imobilizaram torcendo suas mãos. Um terceiro batia em suas
partes íntimas e um quarto policial dava uma gravata no rapaz, segundo relatou.
“Comecei a gritar: Vou desmaiar! Isso de fato aconteceu, acordei uma
hora com a cabeça no chão e só via os pés dos policiais, até que levei um chute no rosto e apaguei. Quando acordei, estava dentro da viatura, todo
ensanguentado”, relata.
As imagens mostram os três integrantes da família saindo da casa dominados por policiais.
Ao
chegarem à delegacia, de acordo com Luis, os PMs disseram que o rapaz havia caído, por isso os ferimentos no rosto. "Eu só concordei, depois de apanhar, e, estando
diante de vários homens armados, eu devia dizer o quê?", questiona o empresário.
Mãe é presa
Ao assistir às agressões ao marido e ao filho mais velho, a mãe de Luis pediu para os policiais pararem. Isso teria ocorrido dentro da casa. “Foi aí que
eles entenderam como desacato e deram um tapa no rosto da minha mãe e a algemaram também”, afirma o empresário.
Conforme Luis, depois de
levar os três para a viatura, alguns policiais voltaram para dentro da casa e apreenderam o aparelho de som da família. “Eles tiraram o celular de uma amiga que filmava
ação e apagaram as imagens. Esse telefone já está com peritos em tecnologia que tentam recuperar os dados”, diz Luis Cláudio.
No dia seguinte, a família registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil. Ela aguarda um laudo do Instituto Médico Legal (IML) que deve comprovar as
agressões.
PM alega desacato
De acordo com o chefe de comicação da Polícia Militar, major Aires
Volnei Pilonetto, a instituição conduz um Inquérito Policial Militar para apurar como se deu a ocorrência.
"Sabemos que um policial
teve lesões pelo portão que foi fechado sobre as mãos dele, que houve desrespeito e reação contra os policiais. Estamos apurando tudo para saber
exatamente o que houve, como foi a conduta dos PMs e da família. Sobre a ação do tenente-coronel, que seria vizinho da família, quero dizer que ele agiu como
qualquer cidadão, denunciou o abuso no volume do som. Em nenhum momento ele foi beneficiado por ser da PM. Estamos apurando tudo, para saber a verdade sobre o que houve naquela
noite", esclarece Pilonetto.
O chefe de comunicação da Polícia Militar explica que a apreensão do aparelho de som da família
é uma conduta de praxe em casos de ocorrências envolvendo a perturbação do sossego, onde há som em volume alto.